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Mostrando postagens de 2017

Terry Eagleton - O amor é mais poderoso que a razão

Ponto de Mutação

Não acredito em ponto final. Talvez  houvesse uma maneira melhor de começar essa conversa, quem sabe dizendo: ‘não acredito em reticências’. Porém, depois de muito pensar, cheguei a conclusão de que o ponto final seria a pontuação mais adequada. Quando ouço alguém falando: ‘vou colocar um ponto final nisso’, sempre me pergunto se , de fato, os pontos finais existem. Acredito que não, não existem, pois nós, como almas errantes e imperfeitas, estamos a milhas de estarmos perto de alguma conclusão. O que ocorre, diária e ininterruptamente, são pequenas e, não raras vezes, imperceptíveis mudanças. E acho que deveríamos nos abrir mais a elas. Com certeza, você deve, de tempos em tempos, fazer uma limpeza nos armários, todos fazemos. Abrimos as caixas empoeiradas, olhamos retratos descoloridos, objetos a muito tempo esquecidos, vislumbramos as memórias se aproximando de nós. Alguns as deixarão entrar e sair, outros fecharão as caixas e as colocarão no mesmo lugar de antes, outros, ainda, d…

Vai de ebook ou de 'book'?

Outro dia uma pessoa me enviou uma mensagem perguntando se encontraria meus livros em livrarias físicas, pois queria lê-los mas não tinha o hábito de ler ebooks. Isso me fez recordar como há uns 3 anos eu também não lia ebooks. Na verdade, eu chegava a abominá-los. Hoje, minha perspectiva é totalmente diferente, não só porque eu publico somente em ebooks, mas também porque eu leio livros, quase só, em formato digital. A experiência de ler em ebook me fez tomar consciência de muita coisa, a primeira delas foi que minha vista estava ruim, pois como o ebook permite escolher o tamanho da letra eu percebi que podia ler muito melhor nesse formato, o que fez com que eu me sentisse como o personagem Miguilim quando usa o óculos pela primeira vez. Com o passar dos dias, fui percebendo também que não precisava mais desembolsar um monte de dinheiro para ler os livros que eu queria. O ebook é um produto barato! Por R$5 você consegue ler um livro que na livraria pagaria R$20, ou mais. Isso sem falar…

Free download até o dia 09/10/2017

Pessoas, promoção para o final de semana. Até segunda, vocês podem fazer download gratuito do meu último livro.
Link para download:
https://www.amazon.com.br/dp/B07468JPRB/

Lesbiar

É do conhecimento popular que as mulheres eram completamente desprestigiadas na Grécia Antiga, porém não é do conhecimento popular que algumas cidades-estado gregas tinham a mulher em um alto nível dentro da sociedade. Entre tais lugares, figurava a ilha de Lesbos. Portanto, uma figura mítica como Sapho só poderia ter surgido em tal ambiente social. O que se sabe da vida de Sapho é quase nada, tudo o que se propaga é uma miríade de sonhos, mentiras e desinformação. Sapho viveu no período arcaico da Grécia, isso a coloca entre 500-600 A.C, ou seja, um período muito antigo, o que cria uma série de dificuldades para os historiadores falarem com propriedade sobre ele, afinal as testemunhas desse tempo já não existem mais, os documentos de tal período há muito se perderam. As informações que chegaram até os dias atuais, nos foram dadas por figuras como Platão, o qual a tinha em altíssima conta, colocando-a no mesmo patamar da musas. Portanto, talvez a melhor maneira de saber mais sobre ela e…

Sobre tomates e livros

Aqui em casa tem alguns pés de tomate, eu comprei três saquinhos de semente e nós acabamos plantando só um, já que eram muitas sementinhas. Primeiro, usamos uma bacia como sementeira, quando eles ficaram maiorzinhos passamos para o chão, e entre uma rega, a chuva (que por aqui é constante), nossos cuidados e afeto, os tomatinhos cresceram e agora estão só esperando a mudança do verde para o vermelho. Muitas coisas que acontecem no dia a dia puxam os fios das minhas memórias, e eu acabo sempre fazendo um link entre elas e o presente. Os tomatinhos são o caso mais recente. Quando eu era uma pessoa pequena (como dizem os esquimós), na minha casa sempre tinha muitos cachorros, gatos, pássaros e plantas. De maneira que o cuidado com todos esses seres e a troca de energia com eles sempre foram de vital importância para mim. Colocar uma sementinha no algodão, vê-la crescer, transplantá-la, dar carinho para que se transformasse num ser exuberante; ou cuidar de um cachorrinho achado na rua at…

Sobre o ofício de escrever em terras papagalis

Quando  Caio Fernando Abreu escreveu o livro Os Dragões não conhecem o paraíso, uma jornalista perguntou a ele o que significava o título.
Caio F. explicou que era uma homenagem a escritores e escritoras que, assim como os dragões, são – nesse nosso Brasil, sempre com um pé no primeiro mundo e dois no terceiro – figuras míticas, que vivem catando serviço aqui e ali para poderem continuar escrevendo. O paraíso seria o mercado – esta entidade amorfa e sinistríssima –, do qual os dragões não fazem parte.
Vida de escritor profissional – entenda-se aqui aquela pessoa que se considera escritor e se esforça no sentido de ser um – não é fácil, a gente pega freela daqui, freela dali, pra cobrir o dia a dia e continuar escrevendo. É revisão, é tradução é tudo e tal e que tal. O leitor deve estar pensando por que, então? Porque tem um chamado que vem não sei de onde, talvez do cosmos, de outras linhas da vida, de outros sóis, do karma, que tem de ser atendido, e caso não seja corre-se o risco da al…

Estranho é o amor quando já não está

O livro Estranho é o amor quando não está  foi escrito para ser publicado em capítulos semanais no clube de literatura lésbica Wonderclub. O primeiro capítulo fazia parte de um conto que eu havia escrito e que entraria no meu livro Quase Nada. Porém, como em literatura tudo é dinâmico e imprevisível, resolvi não colocá-lo no livro de contos , mas usá-lo para dar início à história que viria a se tornar o livro Estranho é o amor.....
Este livro é uma quase-memória, e, em geral,  a nossa memória trabalha como uma peneira de malha fina que deixa passar as coisas boas que vivemos e retem as que nos magoaram, no entanto, ao escrever este livro, procurei não usar nenhum tipo de peneira. Deixei que ele se tornasse o que veio a ser, uma confissão de estados emocionais que deveriam ser curados. E mais uma vez, a literatura cumpriu seu papel como um agente de cura.

https://www.amazon.com.br/dp/B07468JPRB

Neon

Os orientais e os espiritualistas dizem que há uma unicidade entre o corpo e a alma, já os ocidentais com pensamento cartesiano sugerem o contrário, o que me leva a crer que o dilema entre o corpo e a alma ainda perdurará por muito tempo. Deixei a metafísica de lado quando a vi entrando. O corpo, a primeira vista, parecia perfeito: alta, magra com substância e curvas, pele sem nenhuma marca ou mancha, o cabelo castanho claro que caía pelas costas em fios retos, e insuportavelmente jovem. Até Krishinamurti pararia para vê-la passar. Na atmosfera meio esfumaçada do bar, ela se movimentava como um elfo atravessando uma floresta medieval, fornecia luminosidade ao ambiente. Deixei meu livro sobre a mesa, ao lado do copo de conhaque, e passei a observá-la e absorvê-la, até ela sair. Todo final de tarde eu voltava ao bar na esperança de vê-la mais uma vez, ia acompanhada de um livro, bebia o conhaque de sempre e esperava. Depois de cinco dias, o elfo apareceu ofuscando tudo ao redor. Vestia uma…

De braços abertos

Ouço Caetano cantar “meu mar e minha mãe, meu medo e meu champagne, visão do espaço sideral”, leio Caio Fernando Abreu e, ainda, são sete da manhã. Lá fora faz 5 graus e uma neblina tão espessa que me impede de enxergar e de sair para caminhar. Aqui de dentro te escrevo; te escrevo devido a uma necessidade absurda. Não te conheço, assim como você também não me conhece, somos estranhas que numa das voltas da roda da vida acabarão se tocando. Te escrevo porque quero te mostrar um pouco dos meus inúmeros pedaços, quem sabe assim a gente possa se encontrar em algum livro, em algum objeto, em algum cheiro que faça parte de nós duas. Olho para a estante e vejo tantas leituras que passaram pela minha vida e que deixaram marcas, como aquelas que fazem nos animais, “você me leu, agora você é minha”, sabe como? Virgínia Woolf, Thomas Mann, Saramago, Clarice, Lygia, Caio F., meus estudos sobre budismo e sobre ovnis. Cada um deles tatuou algo em minha alma. Na penteadeira, que tem quase 50 anos e per…

Genderqueer

Tirésias é uma figura que sempre me instigou mais do que intrigou. Ele faz parte da mitologia grega e aparece na trilogia tebana do dramaturgo grego Sófocles e, também, nos cantos X e XI da Odisseia. Nascido como homem, ele se transforma em mulher após matar a fêmea de um casal de cobras que copulavam no Monte Citorão. Depois de sete anos ele retorna ao Monte Citorão e acha novamente um casal de cobras copulando, desta vez mata o macho e se transforma em homem. Por saber como é pertencer aos dois sexos, um dia ele é chamado por Zeus e Hera para opinar sobre quem sente mais prazer numa relação sexual, se o homem ou a mulher. Hera, que afirmava que era o homem a sentir mais prazer, sente-se ultrajada quando Tirésias diz que quem sente mais prazer é a mulher. Como vingança ela o cega. Zeus, compadecido da situação do pobre Tirésias, lhe dá o dom da profecia. E é do adivinho uma das falas mais bonitas das tragédias gregas: “Deus! Como é terrrível o dom da sabedoria quando não serve a quem o…
“Ler Madame Bovary é um prazer estético, apreciar ao vivo um quadro de Van Gogh ou o Apoxiomeno é um prazer estético. Prazer estético, de acordo com o filósofo alemão Immanuel Kant, é sentir prazer diante do belo. De maneira que, prazer estético foi o que eu senti quando a vi pela primeira vez.”
Assim, começa o conto Gilda, que estou escrevendo para o portal de literatura lésbica Wonderclub. Mas afinal, quem é Gilda?
Gilda é uma prostituta, uma pessoa não aceita pela sociedade.Gilda carrega no rosto os sinais da incompreensão de seus pares, de sua família, de seus clientes. Gilda é o feminino de cada uma de nós. Gilda é o lado da vida que ninguém quer ver. Gilda é só desamor. Gilda poderia ser eu ou você que está lendo esse texto.
Até que um dia, por um acaso da vida, ou por uma conjunção astrológica, Gilda encontra alguém que é o seu avesso, uma mulher que de tão diferente dela pode vir a ser a única a entendê-la, que pode tanto vir a ser seu único amor quanto alguém letal ao seu coraçã…

Quase Nada

Em que momento o amor se instala com toda a sua bagagem dentro de nós? A questão é o ponto de partida do primeiro conto desse livro e o tempero para os textos seguintes, que tratam de amor, sexo, alma feminina, admiração, preconceito, sonhos e mistérios.Tudo com a delicadeza e o talento de Fabiula Bortolozzo, autora de Bella Donna: Amor no Feminino e Oito Minutos.
Em "Lembra quando você chegou?", temos a visão de um amor entre duas garotas que nem a implacabilidade do tempo conseguiu terminar, já em "Uma situação insustentável" a autora nos leva para dentro de um cenário típico de H. P. Lovecraft.
A leitura destes contos é um passeio pela diversidade, tanto de estilo quanto humana.

Oito Minutos

Em um lugarejo a beira-mar, num local indeterminado da Sul da América do Sul, vive Clarissa, uma mulher cujas feridas do passado continuam a doer. Clarissa é a dona de uma pousada em que a jovem Lia se hospeda. Os sentimentos que surgem entre essas duas mulheres e o forte relacionamento que se estabelece entre elas provocará uma reviravolta na vida de ambas. Um romance profundo, terno e sexy, que deixará os leitores questionando o peso que o passado tem na vida de qualquer pessoa.

http://www.indexebooks.com/oito-minutos.html
https://www.amazon.com.br/dp/B01N7L6Z8H

Bella Donna

Nos tempos da velha República dos Doges venezianos, Antonia, uma viúva aristocrata, decide passar o resto dos seus dias num convento da ilha de Murano. Ali encontra Elena, uma freira conversa, por quem se apaixona. 
"Bella Donna" é um romance histórico que nos mostra a vida em um convento num período de transição entre o Renascimento e a Idade Moderna. Em um mundo em mudança, vestígios e segredos do passado insistem em se manter por detrás dos muros conventuais, testanto o amor que surge entre Antonia e Elena.
Um enredo quase policial que fará com que os leitores não respirem até a última linha.

http://www.indexebooks.com/bella-donna.html
https://www.amazon.com.br/dp/B01I08WVLY



Fora do lugar-comum

O novo livro que Diana Rocco está escrevendo para o clube de literatura lésbica Wonderclub, merece algumas considerações devido à interessante técnica narrativa utilizada pela autora. O primeiro impacto que o texto causa, ou deveria causar, numa leitora mais atenta, é a utilização de dois narradores, no caso duas narradoras, as personagens Lou e Gal. Antes de continuarmos, é necessário um adendo para que não se faça confusão, em todo e qualquer texto o personagem principal sempre será o narrador, seja o foco narrativo utilizado em primeira, segunda ou terceira pessoa, pois é ela (ou ele) o único a saber o final da história, além do autor. Em Wird, o texto em questão, temos duas narradoras em primeira pessoa que nos apresentam dois pontos de vista diferentes sobre a mesma história. A estratégia utilizada pela autora  parece resultar, pois nos permite mais interpretações do que a utilização de apenas um narrador. Quem é a dominadora e quem é a dominada no texto? Afinal, nós temos duas his…

Ócio criativo, Literatura e Wonderclub

Se você já leu alguma coisa sobre a sociedade da Grécia Antiga, deve lembrar que além dos gregos diminuírem as mulheres e criarem uma falsa democracia, foram os responsáveis pelas bases filosóficas do ocidente e pelo cultivo do ócio. Para um grego, o ócio era tão, ou mais, importante do que o trabalho, pois era devido ao tempo dedicado ao ócio que as novas ideias prosperavam e a sociedade evoluía. Em 1990, o sociólogo italiano Domenico de Masi escreveu um livro chamado O Ócio Criativo, vejamos o que ele diz: “O ócio pode elevar-se para a arte, a criatividade e a liberdade.” Voltemos ao primeiro parágrafo desse texto e veremos que De Masi nos contempla com o mesmo pensamento da Grécia Clássica. Para que os seres humanos evoluam intelectualmente, espiritualmente, e muitos outros “mentes”, é necessário que haja outros seres humanos que forneçam ferramentas àqueles por meio das artes em geral. Ora veja cara leitora, agora chegamos ao ponto que interessa em nossa conversação. Como sobrevi…