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Mostrando postagens de Abril, 2017

Clóvis

Ele era alto, magro e negro, com um porte que podia lembrar tanto um dândi quanto uma dama, isso dependia de quem o observava. Andava pelas ruas da pequena cidade a cata de serviços que lhe dessem o que comer no dia, qualquer serviço era bem-vindo e aceito. Não se importava com as humilhações, nem com o xingamento a que diversas vezes era submetido, estava acostumado. Sua vida fora sempre vivida entre aceitação, desaforos, pobreza e rebaixamento. O Sol queimava o chão manchado de terra vermelha, aquela cor que por mais que esfregasse estava impregnada na calçada, nos sapatos, no interior das pessoas do lugar, o vermelho comandava a vida da cidade, era do vermelho que brotavam as plantações que movimentavam o lugarejo. E Clóvis, com seus braços fortes e negros, esfregava e esfregava, sem esperança de que a brancura que um dia existira voltasse a reinar. Das poucas casas do lugar, apenas uma sempre lhe arrumava alguma coisa em que trabalhar, fosse esfregando a calçada, fosse arrancando…

Ócio criativo, Literatura e Wonderclub

Se você já leu alguma coisa sobre a sociedade da Grécia Antiga, deve lembrar que além dos gregos diminuírem as mulheres e criarem uma falsa democracia, foram os responsáveis pelas bases filosóficas do ocidente e pelo cultivo do ócio. Para um grego, o ócio era tão, ou mais, importante do que o trabalho, pois era devido ao tempo dedicado ao ócio que as novas ideias prosperavam e a sociedade evoluía. Em 1990, o sociólogo italiano Domenico de Masi escreveu um livro chamado O Ócio Criativo, vejamos o que ele diz: “O ócio pode elevar-se para a arte, a criatividade e a liberdade.” Voltemos ao primeiro parágrafo desse texto e veremos que De Masi nos contempla com o mesmo pensamento da Grécia Clássica. Para que os seres humanos evoluam intelectualmente, espiritualmente, e muitos outros “mentes”, é necessário que haja outros seres humanos que forneçam ferramentas àqueles por meio das artes em geral. Ora veja cara leitora, agora chegamos ao ponto que interessa em nossa conversação. Como sobrevi…