Pular para o conteúdo principal

Terry Eagleton - O amor é mais poderoso que a razão

Estranho é o amor quando já não está


O livro Estranho é o amor quando não está  foi escrito para ser publicado em capítulos semanais no clube de literatura lésbica Wonderclub. O primeiro capítulo fazia parte de um conto que eu havia escrito e que entraria no meu livro Quase Nada.
Porém, como em literatura tudo é dinâmico e imprevisível, resolvi não colocá-lo no livro de contos , mas usá-lo para dar início à história que viria a se tornar o livro Estranho é o amor.....

Este livro é uma quase-memória, e, em geral,  a nossa memória trabalha como uma peneira de malha fina que deixa passar as coisas boas que vivemos e retem as que nos magoaram, no entanto, ao escrever este livro, procurei não usar nenhum tipo de peneira. Deixei que ele se tornasse o que veio a ser, uma confissão de estados emocionais que deveriam ser curados. E mais uma vez, a literatura cumpriu seu papel como um agente de cura.

https://www.amazon.com.br/dp/B07468JPRB

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quando a manhã nasce

O que importa quando a manhã nasce? Frida Khalo, em seus Diários, diria que é a não ilusão. Mas como manter a fagulha crepitando sem um pouquinho que seja de ilusão? De uma ilusão a outra, quando a manhã nasce o céu segue atravessando todos os tons da luz, e eu – que sempre tive o hábito de levantar ainda no escuro – fico aqui no meu canto testemunhando a cada minuto a chegada do azul. E  há manhãs em que o azul é tanto que chega a doer dentro de mim. É o cheiro da flor de lavanda que fica mais intenso quando o sol aparece e evapora o orvalho que insistiu em amanhecer, é a sabiá-laranjeira que faz chegar até mim a sua excitação misturada com  melancolia, é o ruído – bem longe – de um carro, é um cão que late para o nada, é o gosto amargo do café na minha boca, é uma lembrança e uma expectativa, tudo isso uma manhã me traz. No entanto, na semana passada, além destes elementos e sensações tão familiares, a manhã me trouxe algo inesperado, me trouxe o passado, um passado inacabado. Tudo pode…

Clóvis

Ele era alto, magro e negro, com um porte que podia lembrar tanto um dândi quanto uma dama, isso dependia de quem o observava. Andava pelas ruas da pequena cidade a cata de serviços que lhe dessem o que comer no dia, qualquer serviço era bem-vindo e aceito. Não se importava com as humilhações, nem com o xingamento a que diversas vezes era submetido, estava acostumado. Sua vida fora sempre vivida entre aceitação, desaforos, pobreza e rebaixamento. O Sol queimava o chão manchado de terra vermelha, aquela cor que por mais que esfregasse estava impregnada na calçada, nos sapatos, no interior das pessoas do lugar, o vermelho comandava a vida da cidade, era do vermelho que brotavam as plantações que movimentavam o lugarejo. E Clóvis, com seus braços fortes e negros, esfregava e esfregava, sem esperança de que a brancura que um dia existira voltasse a reinar. Das poucas casas do lugar, apenas uma sempre lhe arrumava alguma coisa em que trabalhar, fosse esfregando a calçada, fosse arrancando…

Terry Eagleton - O amor é mais poderoso que a razão