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Terry Eagleton - O amor é mais poderoso que a razão

Sobre o ofício de escrever em terras papagalis

Quando  Caio Fernando Abreu escreveu o livro Os Dragões não conhecem o paraíso, uma jornalista perguntou a ele o que significava o título.

Caio F. explicou que era uma homenagem a escritores e escritoras que, assim como os dragões, são – nesse nosso Brasil, sempre com um pé no primeiro mundo e dois no terceiro – figuras míticas, que vivem catando serviço aqui e ali para poderem continuar escrevendo. O paraíso seria o mercado – esta entidade amorfa e sinistríssima –, do qual os dragões não fazem parte.

Vida de escritor profissional – entenda-se aqui aquela pessoa que se considera escritor e se esforça no sentido de ser um – não é fácil, a gente pega freela daqui, freela dali, pra cobrir o dia a dia e continuar escrevendo. É revisão, é tradução é tudo e tal e que tal.
O leitor deve estar pensando por que, então? Porque tem um chamado que vem não sei de onde, talvez do cosmos, de outras linhas da vida, de outros sóis, do karma, que tem de ser atendido, e caso não seja corre-se o risco da alma murchar.


O glamour é para poucos e, geralmente, para os ruins. Por isso, a gente pega a bolsa e saí rodando por aí, criando vidas, recebendo histórias, indo em direção “ao” chamado. E, at least but not last, agradecendo a cada leitora e leitor que nos prestigia comprando um livro.


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