Pular para o conteúdo principal

Terry Eagleton - O amor é mais poderoso que a razão

Terry Eagleton - O amor é mais poderoso que a razão

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ponto de Mutação

Não acredito em ponto final. Talvez  houvesse uma maneira melhor de começar essa conversa, quem sabe dizendo: ‘não acredito em reticências’. Porém, depois de muito pensar, cheguei a conclusão de que o ponto final seria a pontuação mais adequada. Quando ouço alguém falando: ‘vou colocar um ponto final nisso’, sempre me pergunto se , de fato, os pontos finais existem. Acredito que não, não existem, pois nós, como almas errantes e imperfeitas, estamos a milhas de estarmos perto de alguma conclusão. O que ocorre, diária e ininterruptamente, são pequenas e, não raras vezes, imperceptíveis mudanças. E acho que deveríamos nos abrir mais a elas. Com certeza, você deve, de tempos em tempos, fazer uma limpeza nos armários, todos fazemos. Abrimos as caixas empoeiradas, olhamos retratos descoloridos, objetos a muito tempo esquecidos, vislumbramos as memórias se aproximando de nós. Alguns as deixarão entrar e sair, outros fecharão as caixas e as colocarão no mesmo lugar de antes, outros, ainda, d…

Quando a manhã nasce

O que importa quando a manhã nasce? Frida Khalo, em seus Diários, diria que é a não ilusão. Mas como manter a fagulha crepitando sem um pouquinho que seja de ilusão? De uma ilusão a outra, quando a manhã nasce o céu segue atravessando todos os tons da luz, e eu – que sempre tive o hábito de levantar ainda no escuro – fico aqui no meu canto testemunhando a cada minuto a chegada do azul. E  há manhãs em que o azul é tanto que chega a doer dentro de mim. É o cheiro da flor de lavanda que fica mais intenso quando o sol aparece e evapora o orvalho que insistiu em amanhecer, é a sabiá-laranjeira que faz chegar até mim a sua excitação misturada com  melancolia, é o ruído – bem longe – de um carro, é um cão que late para o nada, é o gosto amargo do café na minha boca, é uma lembrança e uma expectativa, tudo isso uma manhã me traz. No entanto, na semana passada, além destes elementos e sensações tão familiares, a manhã me trouxe algo inesperado, me trouxe o passado, um passado inacabado. Tudo pode…

Lembra quando você chegou?

Lembra quando você chegou? Era Abril, exatamente como na canção de Simon & Garfunkel. Começava a esfriar. Aquele frio do Sul, que vem com força nas manhãs de céu pintado de azul, depois nos abandona durante o dia para voltar à noite como uma amante esfomeada. Eu estava caminhando pelo centro, tinha acabado de entrar numa livraria que ficava na XV e era frequentada pelo pessoal da universidade e pela turma do Leminski, você não deve saber, mas tal livraria nem existe mais, fechou há uns 10 anos. E você estava lá, folheando um livro, com uma mochila pendurada no ombro, com cara de compenetrada e um moletom do curso de Filosofia. Você não me viu, mas eu a enxerguei. Quando veio perguntar o preço do livro foi que nossos olhos colidiram. Os meus eram desde aquele momento só ternura por você, os seus até hoje eu não consegui decifrar, e depois de tanto tempo eles, algumas vezes,escapam da minha memória. Depois disso, só fui te avistar duas semanas depois, no pátio da Reitoria. Era uma manh…